Como lidar com uma gravidez inesperada?

Não foi nada planejado, tão pouco esperado… Mas lá estava eu com um resultado de Beta HCG positivo nas mãos, depois de 3 testes de farmácia (também positivos) um coração ainda cheio de sonhos de menina e a cabeça transbordando de incertezas e questionamentos.

Em um minuto, meu cérebro ”bugou” com tantos pensamentos juntos!

O que eu vou fazer agora?
O que vai ser da minha vida?
Como vou criar um filho morando em outro país?
Como vou conseguir sem minha mãe por perto?
O que eu tenho que fazer primeiro?
Ligo pro meu marido ou falo pessoalmente?
Onde posso sentar? Minhas pernas estão tremendo!
E as coisas que eu tinha planejado?
E todos os projetos que eu tinha? Eles não incluíam um bebê!
Será que eu sei ser mãe?
Eu só quero que corra tudo bem.
Quero que o bebe seja saudável e perfeito.
Preciso marcar uma consulta.
Preciso das vitaminas de grávida.
Meu Deus, quando foi que eu engravidei?
Aquelas pílulas não funcionam tão bem quanto prometem, não é mesmo?

Era isso e muito mais passando pela minha cabeça no momento em que eu segurava o resultado, em pé no corredor de saída do laboratório.
Era um daqueles momentos da vida em que a gente respira bem fundo, segura na mão de Deus e vai!

Em um mundo onde tanta mulheres sofrem por não poder engravidar, parecia egoísmo da minha parte estar me sentindo tão insegura e insatisfeita.
Dias antes minha amiga, percebendo os meus enjôos logo soltou: _Eu acho que tem um baby vindo aí!
E eu imediatamente arregalei os olhos e respondi: _Não brinque com uma coisa dessas pelo amoooor de Deus! Tá amarrado!
E ela me perguntou: _Mas por que esse desespero? Por que não querer um bebezinho?

Dias depois, gravidez já confirmada, meu esposo chegando em casa, estava eu em lágrimas e ele me disse:
_Não tem motivo pra você ficar assim. Eu estou do seu lado, nosso bebê vai ter um pai, estamos juntos nessa. Vai dar tudo certo.

Ele tinha razão, eles tinham razão.

Mas por que aquela sensação de que tudo estava errado não saía de dentro de mim?

Eu sempre priorizei a liberdade de ir e vir, sabe? Aquela coisa de ter seus horários, fazer o seu tempo, estar sempre a disposição. Ser livre para fazer meu trabalho, para estar onde precisasse a hora que precisasse. Não tinha amarras, ou o que me ”prendesse”. Eu era o tipo de pessoa que mesmo tendo família e amigos não era dependente de uma companhia para por exemplo, fazer um passeio no shopping. Eu nunca fui aquela pessoa que para ir á algum lugar, precisava necessariamente estar com alguém. E na minha independência as coisas eram do meu jeito.

Estávamos nos preparativos para vir para os EUA, enfim eu realizaria um sonho muito antigo, eu iria estudar e planejava construir a minha vida como em um belo filme de ”Sessão da tarde” tipo adolescente no High School!

Naquele momento eu só conseguia enxergar que uma gravidez me tiraria tudo isso.

Como eu aprendi a lidar com isso? Como superei?
Meu filho me ensinou.

Parece clichê, como tudo o que ouvimos quando nos sentimos em uma situação limite. Mas é verdade.
Ainda na barriga, ele me mostrou que não era um final e sim um começo.

Depois de tanto lutar comigo mesma semanas e semanas, houve um dia em que tudo mudou.
Estava eu deitada em uma maca, e começou o meu primeiro ultrassom. Imagens nebulosas na tela pra lá e pra cá, quando de repente a primeira imagem dele.
Era um bebê. É ridículo falar isso, mas até então eram apenas enjôos e a barriga não tinha crescido nadinha ainda. Naquele momento caiu a ficha.

Foi exatamente essa imagem!

Era uma criança, um ser que estava muito vivo dentro de mim. Já tinha bracinhos e perninhas.
Eu apenas me apaixonei. Aquela imagem, não saiu mais da minha cabeça nem do meu coração.
Eu comecei a enxergá-lo como alguém. Alguém que olharia pra mim com o olhar mais puro e me amaria dessa mesma forma, que recorreria ao meu colo quando se sentisse com medo. Comecei a entender que não se tratava só de mim, meu mundo e minhas razões. Tinha alguém ali, com sentimentos, alma, carne e osso. E eu não precisei me esforçar, aquele amor e a vontade de ser o mundo daquele bebê a partir daquele momento, me inundaram.

Não há uma regra com relação a isso e eu sei que muitas meninas e mulheres já se viram nessa situação.
Tudo bem se você se sentir insegura, tudo bem se no começo você achar que está tudo perdido.
Vai chegar o momento onde você vai se tornar uma mãe. Vai ter o momento onde isso vai nascer em você e vai ser tão natural que você vai se surpreender.
Tudo bem também se você mesmo assim derramar algumas lágrimas, afinal grandes mudanças estão por vir. Mas vai ficar tudo bem, melhor que isso.

Nós entre 7 e 8 meses – Foto de Rebecca Faria

Não se pode absorver os comentários negativos nem tudo de ruim que te falam, porque numa grande maioria, as pessoas costumam seguir o mitos impostos pela sociedade e por elas mesmas.
E a sociedade tem mania de prever o seu futuro baseando-se em nada concreto, e caímos como patinhos.
Dizem que sua vida vai acabar, dizem que você não vai conseguir mais se cuidar, nem se divertir e blá blá blá.

Mas uma coisa é certa, planejada ou não, esperada ou não, aquela vida vale a pena, vale tudo.

Hector no seu primeiro dia de vida
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s