Querido Diário #02 – Um sonho na balança

Querido diário,

Hoje quero falar sobre todos os sentimentos envolvidos em um sonho de adolescência realizado!

Você bem se lembra dos meus planos e de como eu ficava imaginando meu futuro vivendo na América, não lembra?

Cada filme que passava na TV, cada referência, as pessoas importantes, as coisas importantes que saiam de lá para o mundo, a cultura que me fascinava e o lugar… Ah que lugar lindo de se ver!

Aquelas casinhas de boneca, sem muros, um belo gramado…

Pessoas passeando com seus Golden-Retrievers pela calçada, todo mundo se cumprimentando:
Hi! Good morning!
E bandeiras dos EUA por todos os lados.

Bom, é bem assim mesmo.

No dia em que pisei na Flórida, no momento em que vi a primeira bandeira balançando com o vento eu pensei: Eu consegui! Mal posso acreditar!

Passados alguns dias/meses, se deram alguns acontecimentos:
Meu pai sofreu um sério e raro AVC.
Meu cachorro morreu de saudade.
Passei maus momentos estando grávida, sem falar inglês nos lugares em que precisava ir.
Estávamos com pouco dinheiro, logo após um projeto que não aconteceu.
Me senti sozinha, tanta falta da minha família, meus amigos, minha vida de antes.

Um certo sentimento de não me sentir inclusa, de não fazer parte disso, de no fundo saber que nunca serei de fato daqui.
Se pensei em voltar, desistir de tudo? Sim, eu pensei sim.

Mas eu sobrevivi!

Sobrevivi á pressão imposta mentalmente ao estrangeiro tentando ser alguém por aqui.
Sobrevivi aos conterrâneos (Isso mesmo, brasileiros como eu) tentando me fazer sentir inferior, espalhando negatividade.
E a todo um pensamento arcaico de que pessoas latinas não merecem o melhor que a América tem a oferecer, a não ser que tenham muito, muito dinheiro.

Eu cresci, amadureci, adquiri conhecimento.

Sabe, quando vejo meu filho andando de bicicleta nas ruas tranquilas em meio ao verde e a vizinhança amigável, com um maravilhoso futuro esperando por ele, eu só consigo pensar que… Pesando na balança…
Valeu a pena.

Ainda estou construindo meu sonho, dia após dia.
Meu real e completo sonho americano ainda não nasceu, mas eu sei que tudo tem o seu tempo.
Tenho trabalhado duro pra isso, aliado a umas boas lágrimas ao longo do percurso.

Falando em percurso, é nele que devemos nos concentrar na vida.
É nele onde tudo acontece. Onde nos tornamos quem somos.
A linha de chegada é importante sim, porém ainda mais importante é como chegamos lá!
O percurso é sobre manter a fé, a coragem, o caráter, honestidade…

Quando vejo uma bandeira americana, linda balançando com o vento…
Eu penso:
Até aqui me ajudou o Senhor, não foi fácil, mas eu vou chegar lá.
A aventura está apenas começando!

 

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